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Voltar a ouvir bem. Voltar a sentir-se firme.

Por volta da 20.ª semana de gravidez, a audição começa a desenvolver-se. Assim, o bebé começa a ouvir ainda antes do nascimento, reconhecendo a voz dos pais e reagindo aos sons do ambiente.

Uma boa audição é essencial para o desenvolvimento saudável da criança. Quando existe uma perda auditiva, mesmo que ligeira, esta pode afetar o desenvolvimento da linguagem, a aprendizagem e a interação com o meio envolvente.

A audição é avaliada desde o nascimento

Atualmente, é altamente aconselhada a realização do Rastreio Auditivo Neonatal Universal (RANU) ainda na maternidade.

Este exame apresenta apenas dois resultados possíveis: Passa ou Falha. Em caso de falha, deverá ser seguido um protocolo de avaliação para obter um diagnóstico correto e confirmar a existência, ou não, de perda auditiva.

Existem diversas causas que podem provocar perda auditiva à nascença, tais como:

  • Infeções durante a gravidez ou após o nascimento, conhecidas como TORCH: toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes;
  • História familiar de perda auditiva;
  • Alterações genéticas, como algumas síndromes;
  • Fatores de risco como baixo peso à nascença e prematuridade.

No entanto, existem também outros fatores que podem provocar alterações auditivas durante a idade pediátrica:

  • Otites de repetição;
  • Traumatismos cranianos;
  • Excesso de cerúmen;
  • Utilização de medicação ototóxica.

É importante destacar que um resultado normal no rastreio auditivo não significa que a audição da criança nunca sofrerá alterações. Por esse motivo, acompanhar o seu desenvolvimento ao longo do crescimento é fundamental.

Cada idade apresenta diferentes sinais de alerta

Nos primeiros meses de vida, é expectável que os bebés reajam a sons altos, tentem localizar a origem dos sons e reconheçam a voz dos pais.

À medida que a criança cresce, alguns sinais de alerta podem incluir:

  • Atraso no desenvolvimento da linguagem;
  • Dificuldade em compreender instruções;
  • Aumento frequente do volume da televisão ou de outros dispositivos;
  • Dificuldades escolares;
  • Falta de reação quando é chamada;
  • Necessidade de repetir frequentemente palavras ou frases.

Perante algum destes sinais, é aconselhável procurar uma avaliação especializada.

Como é realizado o diagnóstico?

A avaliação auditiva é realizada por um Audiologista e deve ser sempre adaptada à idade, ao desenvolvimento e ao nível de colaboração da criança.

Dependendo destes fatores, alguns dos exames que podem ser realizados incluem:

  • Otoemissões Acústicas;
  • Impedancimetria;
  • Potenciais Evocados Auditivos do Tronco Cerebral;
  • Audiometria Condicionada, como a Audiometria de Reforço Visual.

Estes exames permitem avaliar diferentes áreas do sistema auditivo e ajudam a identificar o tipo e o grau de uma possível perda auditiva.

A intervenção precoce faz a diferença

Os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento cerebral da criança. Por isso, é importante garantir todas as condições necessárias para potenciar a linguagem, a cognição, a autonomia e a aprendizagem escolar.

Quando a perda auditiva é identificada precocemente, existem diversas soluções que podem ser consideradas, incluindo a reabilitação auditiva.

O objetivo é minimizar as consequências da perda auditiva no presente e no futuro da criança, promovendo um desenvolvimento mais saudável e uma melhor qualidade de vida.

Sofia Martins
Audiologista

Referências bibliográficas

GRISI. (2007). Recomendações para o Rastreio Auditivo Neonatal Universal (RANU), 209–214.

Hepper, P. G., & Shahidullah, B. S. (1994). Development of fetal hearing. Archives of Disease in Childhood: Fetal and Neonatal Edition, 71(2), F81–F87. https://doi.org/10.1136/fn.71.2.f81

Katz, J., Chasin, M., & Ovid Technologies, Inc. (Eds.). (2015). Handbook of Clinical Audiology (7.ª edição). Wolters Kluwer Health.